segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aquela que partiu

Sabes? Hoje estive o dia todo a olhar para os teus filmes, quero dizer, para todos os filminhos de amador que fiz contigo. Eu ainda gosto de fazer os meus filmes, como quando estávamos junto, mas agora que já não estamos, parecem filmes a preto e branco. Os filmes são quase toda a minha vida, como sabes.
Mas descansa que não te vou estar aqui a falar dos vídeos. Só te quero dizer que guardei todos os originais e diverti-me a transformar as cópias. Ambos tínhamos todos os papéis, mas o de estrela não, a personafem principal eras sempre tu.
É fantástico o que se pode fazer com aquilo, descobri: o tempo andava para a frente e para trás, aqui era ontem e depois anos antes, quando te conheci. Aqui tu nadavas, andavas de bicicleta e vinhas a correr ao meu encontro. Com um pequeno gesto eu repetia até ao infinito a sequência em que tu corrias ao meu encontro, tu nunca acabarias de correr ao meu encontro se eu quisesse.
Foi assim que descobri como a gente tem poder sobre as coisas, manipulando-as, deve ser assim que se fazem os filmes verdadeiros e os livros, os livros são uma espécie de filmes, só que penso que a palavra tem mais poder, porque desde sempre houve palavras mágicas, e ainda não há imagens mágicas.
E aí é que eu vi a diferença entre saber e não saber fazer, eu manipulava os filmes e as coisas aconteciam ao contrário, como eu queria. Mas nada do que eu fizesse poderia trazer-te de volta

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

burra

tu pensas sempre o errado
e não deixas que te explique
que o mundo anda atormentodo
as acções a caírem a pique

e tu pensas que sabes tudo
sem realmente saberes nada
o que para ti é a vida
para mim é só mais uma jornada

porque desistes quando tenho vontade de seguir em frente?
às vezes pareço um idiota
neste jeito demente
de dizer a toda a gente
aquilo que apenas tu queres saber
mas não perguntas

na verdade eu estou farto
desta vida quero sair
só que tu pareces muda, uma estupidez absurda
Que não tem vontade de me apoiar

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

mal-vindos sejam os californianos

Eles que passam por nós e saem hirtos
Deixam-nos com a esperança reduzida
Nunca seremos melhores que eles
Nunca seremos

E eu ó mãe tinha a certeza
que dava conta desses todos
Agora ferem-me quando querem
com aquelas lanças que parecem geladas quando chegam ao sangue

Longa vida aos californianos, oh sim
Eles é que vivem bem
Sem nunca terem visitado Jerusalém
Longa vida aos californianos, oh

Solta o grito irmão
Não se aguenta mais esta situação
Em que nos atingem no coração
Aos californianos diz-lhes não
E viveremos menos mal então

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma espécie - 1

São 11h11. Não sabemos bem ao certo mas temos ideia de que é quando as coisas estão prestes a começar em massa que iniciamos uma reflexão interior. Aí vemos que provavelmente não estamos preparados para dar luta a tudo. Mas saltando para o tema que me fez vir aqui premir as teclas, a vida, ou por outra, a espécie de vida. Sejamos sinceros, a verdade é que isto é uma merda. Até pedia desculpa pelo termo utilizado, contudo, certamente ninguém irá ler este texto, portanto estou à vontade. Aquilo que fazemos de mal, podemos remediá-lo, só que, de qualquer modo, isso acaba sempre por perseguir-nos, ainda que só nas nossas memórias. Como dizia o Belo, É difícil a vida dos homens senhor// Os anjos tinham outras possibilidades. De facto é verdade, nós não dispomos de armas justas para tal guerra, devíamos poder voar, expelir fogo da garganta e saber sempre tudo, para que nada de mal nos acontecesse. Com o passar do tempo coloca-se outra questão. Toda a gente a certa altura se pergunta como deverá fazer para viver da melhor maneira, e é aí que surge o principal problema, porque todos nós queremos viver melhor que o vizinho, sentir a felicidade interior de que estamos a sugar o tutano da vida, mais do que qualquer outro ser. Por vezes, na maioria das vezes, isso traz-nos uma infelicidade que se vai acentuando, e a certo chegamos a esquecer que todos somos exactamente iguais e produzidos da mesma forma, um simples espermatozóide que junta a simples óvulo, o que somado se torna um simples ovo, frágil, tão frágil que tem a necessidade de crescer os primeiros nove meses bem escondido no útero de quem ajudou à produção. Depois quando vem cá para fora, é ainda mais protegido porque é pequenino e continua a ser frágil. Mas desenvolve-se rapidamente e cresce ao mesmo ritmo, tambem na inteligência, o sacana. A inteligênicia ganha-a durante a vida. Há gente que diz que já nascem ensinados, mas isso não corresponde à verdade, quando nascem choram apenas por instinto, espírito animal de sobrevivência. Mas não é bom ser inteligente, não se enganem. Se não for bem controlada pode tornar-nos mesquinhos e sacanas. Parece que não tenho outra palavra a não ser sacana. Realmente tinha pensado noutra, mas não me ocorre agora e estou a escrever em contra-relógio. não falo mais da vida hoje, embora houvesse mais para escrever. Que se dane, mais vale pensar que podemos mudar o mundo, vale mais dizer bem alto que sai fogo da minha garganta, uma chama gigantesca e feroz, ainda que seja mentira. Uma mentira atrás da outra, no fundo é para isto que serve a inteligência, pura e dura, que Deus nos deu. Nem se salva o amor, porque até o mais bonito era de fantasia, o de Julieta e Romeu.
Último parágrafo. Se no primeiro não me apetecia abrir uma garrafa de champagne e festejar, agora também não me apetece chorar compulsivamente. Resta aos vivos chorar os seus mortos e rezar por um futuro risonho. São 12h11. Passou um hora e não se passou nada.