sábado, 5 de setembro de 2009

Uma espécie - 1

São 11h11. Não sabemos bem ao certo mas temos ideia de que é quando as coisas estão prestes a começar em massa que iniciamos uma reflexão interior. Aí vemos que provavelmente não estamos preparados para dar luta a tudo. Mas saltando para o tema que me fez vir aqui premir as teclas, a vida, ou por outra, a espécie de vida. Sejamos sinceros, a verdade é que isto é uma merda. Até pedia desculpa pelo termo utilizado, contudo, certamente ninguém irá ler este texto, portanto estou à vontade. Aquilo que fazemos de mal, podemos remediá-lo, só que, de qualquer modo, isso acaba sempre por perseguir-nos, ainda que só nas nossas memórias. Como dizia o Belo, É difícil a vida dos homens senhor// Os anjos tinham outras possibilidades. De facto é verdade, nós não dispomos de armas justas para tal guerra, devíamos poder voar, expelir fogo da garganta e saber sempre tudo, para que nada de mal nos acontecesse. Com o passar do tempo coloca-se outra questão. Toda a gente a certa altura se pergunta como deverá fazer para viver da melhor maneira, e é aí que surge o principal problema, porque todos nós queremos viver melhor que o vizinho, sentir a felicidade interior de que estamos a sugar o tutano da vida, mais do que qualquer outro ser. Por vezes, na maioria das vezes, isso traz-nos uma infelicidade que se vai acentuando, e a certo chegamos a esquecer que todos somos exactamente iguais e produzidos da mesma forma, um simples espermatozóide que junta a simples óvulo, o que somado se torna um simples ovo, frágil, tão frágil que tem a necessidade de crescer os primeiros nove meses bem escondido no útero de quem ajudou à produção. Depois quando vem cá para fora, é ainda mais protegido porque é pequenino e continua a ser frágil. Mas desenvolve-se rapidamente e cresce ao mesmo ritmo, tambem na inteligência, o sacana. A inteligênicia ganha-a durante a vida. Há gente que diz que já nascem ensinados, mas isso não corresponde à verdade, quando nascem choram apenas por instinto, espírito animal de sobrevivência. Mas não é bom ser inteligente, não se enganem. Se não for bem controlada pode tornar-nos mesquinhos e sacanas. Parece que não tenho outra palavra a não ser sacana. Realmente tinha pensado noutra, mas não me ocorre agora e estou a escrever em contra-relógio. não falo mais da vida hoje, embora houvesse mais para escrever. Que se dane, mais vale pensar que podemos mudar o mundo, vale mais dizer bem alto que sai fogo da minha garganta, uma chama gigantesca e feroz, ainda que seja mentira. Uma mentira atrás da outra, no fundo é para isto que serve a inteligência, pura e dura, que Deus nos deu. Nem se salva o amor, porque até o mais bonito era de fantasia, o de Julieta e Romeu.
Último parágrafo. Se no primeiro não me apetecia abrir uma garrafa de champagne e festejar, agora também não me apetece chorar compulsivamente. Resta aos vivos chorar os seus mortos e rezar por um futuro risonho. São 12h11. Passou um hora e não se passou nada.

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