Sabes? Hoje estive o dia todo a olhar para os teus filmes, quero dizer, para todos os filminhos de amador que fiz contigo. Eu ainda gosto de fazer os meus filmes, como quando estávamos junto, mas agora que já não estamos, parecem filmes a preto e branco. Os filmes são quase toda a minha vida, como sabes.
Mas descansa que não te vou estar aqui a falar dos vídeos. Só te quero dizer que guardei todos os originais e diverti-me a transformar as cópias. Ambos tínhamos todos os papéis, mas o de estrela não, a personafem principal eras sempre tu.
É fantástico o que se pode fazer com aquilo, descobri: o tempo andava para a frente e para trás, aqui era ontem e depois anos antes, quando te conheci. Aqui tu nadavas, andavas de bicicleta e vinhas a correr ao meu encontro. Com um pequeno gesto eu repetia até ao infinito a sequência em que tu corrias ao meu encontro, tu nunca acabarias de correr ao meu encontro se eu quisesse.
Foi assim que descobri como a gente tem poder sobre as coisas, manipulando-as, deve ser assim que se fazem os filmes verdadeiros e os livros, os livros são uma espécie de filmes, só que penso que a palavra tem mais poder, porque desde sempre houve palavras mágicas, e ainda não há imagens mágicas.
E aí é que eu vi a diferença entre saber e não saber fazer, eu manipulava os filmes e as coisas aconteciam ao contrário, como eu queria. Mas nada do que eu fizesse poderia trazer-te de volta
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
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