No fim a Francisca morre, porque todos aqueles que nos fazem bem nesta vida acabam por morrer no final. A senhora Felisberta, uma contínua que trabalhava na minha escola, dizia para eu dizer falecer em vez de morrer, morrer era uma palavra muito rude, na opinião dela. Mas ela não percebe, falecer é para os velhos. Os velhos e aqueles que não têm coragem é que deixam de existir só por deixar, simplesmente permintindo que se lhes separe a alma do corpo e por conseguinte o corpo da vida. Os audazes e os que têm força morrem, morrem como que a dizerem que são rebeldes e livres, jovens e fortes como os muros mais dificilmente destrutíveis.
A Francisca, referida umas linhas antes da linha que agora escrevo, permanece silenciosa enquanto passa por ela o tempo, não conta muito da sua vida a quem não lhe pergunta muito da sua vida e sabe sempre como abordar cada situação. A relação dela comigo? Afastou-se de mim como um relâmpago, exactamente da mesma velocidade com que nos aproximámos. Só te queria dizer, autor deste livro, que eu, Ricardo, umas das personagens deste teu livro, tenho a certeza absoluta que a Francisca morre no final, não te esqueças de referir isso, e a falta que ela nos faz...
Ricardo Cardoso, com os mais sinceros cumprimentos
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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