quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Exortação

Não me lixes, nós não estamos aqui para andarmos a arrastar-nos. Deixa-te de merdas, não me venhas com o chora da vítima e a conversa de coitadinho porque isso comigo não funciona. E corre, o mundo não está à tua espera, ninguém te segura o braço quando cais. Levanta-te, faz o teu destino porra.

sábado, 19 de dezembro de 2009

8

passo por ti
tu nem me vês
só mais um dia
amanhã talvez

e fico à espera
de ver em ti
o sentimento
que trago dentro de mim

mas eu só posso imaginar
o que podia ser
se eu te pudesse abraçar
se eu te pudesse ter

qual o caminho
que irá dar
a esse teu mundo
onde eu queria entrar

e tantas vezes
eu já sorri
só por lembrar-me
só por pensar em ti

e eu só posso imaginar
o que podia ser
se eu te pudesse abraçar
se eu te pudesse ter

estás aqui
mas tão ausente
junto a mim
mas tão distante

o teu beijo já não é igual
apagou-se o fogo no teu olhar
estás nos meus braços, mas afinal
estamos tão distantes como o céu e o mar

E eu que jurei nunca mais cair,
nesses teus ardís nunca mais seguir
esse teu olhar, esse teu olhar.
De nada nos vale tentar fugir
para que negar ou se quer fingir,
esse mal de Amar, esse mal de Amar.
Chega quando quer e não quer saber,
nem do mal que fez ou que vai fazer,
é um tanto faz,crer ou não crer.

Fecho os olhos e quem está és tu
Ao ouvido a respirar és tu
já não fico só por ficar
no teu olhar, és tu

a noite grita e chora sempre por mim
pois ainda sinto esta ausência de ti
porque a noite grita e chora sempre por mim
pois a noite sabe que não estás aqui

Porque eu sei que tu sabes
Que nós não sabemos fazer muito melhor
O fogo-de-artifício é bonito
Mas nunca ficaremos juntos

Mas eu sei que tu sabes
que gostas e mim

Na berma da estrada

Agora, na berma da estrada,
nuns quinhentos metros, estão quinhentos mortos
com os olhos abertos

Estes, tal como outros
Tinham sonhos, queriam ser heróis
Mas veio de lá bomba
Inesperada e robusta
Fulgurante como mil sóis

Os filhos perderam as mães
as mães ganharam os céu
Foi por vir de lá a bomba
A arrancar-lhes com força o véu

Agora, na berma da estrada
nuns quinhentos metros, estão quinhentos mortos,
com os olhos abertos



António Gedeão, adaptado

O sétimo sentido

Existir sem ter já vida - é o destino

tudo o que eu sempre quis

All I ever wanted
Was to see you smiling
I know that I love you
Oh baby, why don't you see
All I ever wanted
Was to see you smiling
All I ever wanted
Was to make you mine
I know that I love you
Oh baby, why don't you see?
That all I ever wanted
Was you and me
I'm so alone
Here on my own
And I'm waiting for you to come
I want to be a part of you
Think of all the things we could do
And everyday
You're in my head
I want to have you in my bed
You are the one
You're in my eyes
All I ever wanted in my life
All I ever wanted
Was to see you smiling
All I ever wanted
Was to make you mine
I know that I love you
Oh baby, why don't you see?
That all I ever wanted
Was you and me
(Are you ready?)
All I ever wanted
Was to see you smiling
All I ever wanted
Was to make you mine
I know that I love you
Oh baby, why don't you see?
That all I ever wanted
Was you and me
All I ever wanted...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cartas ao nosso Deus

No fim a Francisca morre, porque todos aqueles que nos fazem bem nesta vida acabam por morrer no final. A senhora Felisberta, uma contínua que trabalhava na minha escola, dizia para eu dizer falecer em vez de morrer, morrer era uma palavra muito rude, na opinião dela. Mas ela não percebe, falecer é para os velhos. Os velhos e aqueles que não têm coragem é que deixam de existir só por deixar, simplesmente permintindo que se lhes separe a alma do corpo e por conseguinte o corpo da vida. Os audazes e os que têm força morrem, morrem como que a dizerem que são rebeldes e livres, jovens e fortes como os muros mais dificilmente destrutíveis.
A Francisca, referida umas linhas antes da linha que agora escrevo, permanece silenciosa enquanto passa por ela o tempo, não conta muito da sua vida a quem não lhe pergunta muito da sua vida e sabe sempre como abordar cada situação. A relação dela comigo? Afastou-se de mim como um relâmpago, exactamente da mesma velocidade com que nos aproximámos. Só te queria dizer, autor deste livro, que eu, Ricardo, umas das personagens deste teu livro, tenho a certeza absoluta que a Francisca morre no final, não te esqueças de referir isso, e a falta que ela nos faz...

Ricardo Cardoso, com os mais sinceros cumprimentos

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ao Ruy Belo

Diz-me Belo
que raio de ideia é essa
de quereres ontem ter dado um grande passeio
esta manhã
à praia onde ontem havias passado o dia?
Os teus poemas são a vida,
só que a vida tem mais vírgulas.
Mais chatices também, e menos frases bonitas,
certamente menos frases bonitas.
hás-de fazer-me o favor de perguntar por aí
o porquê de os donos dos versos
também caírem para o lado inanimados.
Eu aqui, vou à missa no domingo
rezar para te trazerem outra vez,
uma vez que ainda nem tudo se perdeu

Eu estou aqui

Eu estou aqui
Podes desaparacer quando quiseres para
falar mal de toda a gente
e depois sorris secretemente
por entre os lábios onde
aplico as minhas carícias,
como se deles fosse para sempre
dependente

Só vendo teus olhos cor de poema
e ouvindo a tua pele
a cantar bem baixinho
és minha, apenas minha
vou dar-te todo o meu carinho

Bocejo de seguida porque estou tranquilo,
hoje chegaste cedo
Estás aqui e eu estou aqui, já não tenho medo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Eugénio de Andrade

O que pode esperar uma boca a não ser outra boca?

domingo, 15 de novembro de 2009

forever young

Let's dance in style, let's dance for a whileHeaven can wait we're only watching the skiesHoping for the best but expecting the worstAre you going to drop the bomb or not?
Let us die young or let us live foreverWe don't have the power but we never say neverSitting in a sandpit, life is a short tripThe music's for the sad men
Can you imagine when this race is wonTurn our golden faces into the sunPraising our leaders we're getting in tuneThe music's played by the mad men
Forever young, i want to be forever youngDo you really want to live forever, forever and everForever young, i want to be forever youngDo you really want to live forever? forever young
Some are like water, some are like the heatSome are a melody and some are the beatSooner or later they all will be goneWhy don't they stay young
It's so hard to get old without a causeI don't want to perish like a fading horseYouth's like diamonds in the sunAnd diamonds are forever
So many adventures couldn't happen todaySo many songs we forgot to playSo many dreams swinging out of the blueWe let them come true
Forever young, i want to be forever youngDo you really want to live forever, forever and everForever young, i want to be forever youngDo you really want to live forever, forever and ever
Forever young, i want to be forever youngDo you really want to live forever?

bxcalem-se

eu hoje estou fodido porque hoje foi o dia em que o sol se fartou de dar voltas à terra e eu que pensava que era a terra que girava em torno do sol mas o sol deu um bailinho à terra e aos outros planetas todos, bailou rodopiou e não parou de dar espectáculo, esse sol chamado Destino que não se fartou de gritar aos quatro ventos: Eu mando, eu sou senhor aquele que levanta o sol e faz girar à volta dos nove planetas, quem de mim discordar, nao viverá até 2012, o ano do fim do mundo. depois o dia acabou e é por isso que eu hoje estou fodido

sábado, 24 de outubro de 2009

Contigo aprendi coisas tão simples

Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

Assim como era no princípio

Eu ontem fui amanhã cavaleiro
E cavalguei futuramente
pelas manhãs sem sol e sem alegria
que deixam tranquilas a guerra começar


Será difícil a vida que já aconteceu?


Nós andamos bem concentrados
A vender jornais e rir dos sem coração

Tal como a apanhar moedas do chão


Não temamos, a loja não se há-de fechar
Porque Adão e Eva foram matreiros
A errar foram os primeiros
Ensinaram-nos também a matar?

Sou feliz

Sou feliz
O mundo tornou-se num gigante acrobata
Sem jeito
Já ninguém sabe o que nos mata

Tenho de gerir a minha mão e a tua mão
A mochila que pesa como chumbo
e as calças a cair

O nosso andar
vamos coordenar também o nosso andar.
Contigo aprendo coisas tão simples
com aroma a frutos silvestres, deliciosos
Não há quem nos consiga agarrar

Iniciação

Às seis da manhã vou à janela e a cidade é tão calma
Não há muita gente na rua, só na alma
Continuamos, seis e meia
Os raios de sol rasgam-me os olhos ensonados

A juventude ergue-se aos molhos
Os mortos continuam enterrados
Às sete levanta-se o Alberto
Para acabar de calcetar o passeio

Eu às oito estou mais desperto
Para começar o dia no recreio
Às nove vem a mulher que ri
Lembrar-me que a vida não parou

O dia começa menos duro
A lua pôs-se e o sol regressou

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Aquela que partiu

Sabes? Hoje estive o dia todo a olhar para os teus filmes, quero dizer, para todos os filminhos de amador que fiz contigo. Eu ainda gosto de fazer os meus filmes, como quando estávamos junto, mas agora que já não estamos, parecem filmes a preto e branco. Os filmes são quase toda a minha vida, como sabes.
Mas descansa que não te vou estar aqui a falar dos vídeos. Só te quero dizer que guardei todos os originais e diverti-me a transformar as cópias. Ambos tínhamos todos os papéis, mas o de estrela não, a personafem principal eras sempre tu.
É fantástico o que se pode fazer com aquilo, descobri: o tempo andava para a frente e para trás, aqui era ontem e depois anos antes, quando te conheci. Aqui tu nadavas, andavas de bicicleta e vinhas a correr ao meu encontro. Com um pequeno gesto eu repetia até ao infinito a sequência em que tu corrias ao meu encontro, tu nunca acabarias de correr ao meu encontro se eu quisesse.
Foi assim que descobri como a gente tem poder sobre as coisas, manipulando-as, deve ser assim que se fazem os filmes verdadeiros e os livros, os livros são uma espécie de filmes, só que penso que a palavra tem mais poder, porque desde sempre houve palavras mágicas, e ainda não há imagens mágicas.
E aí é que eu vi a diferença entre saber e não saber fazer, eu manipulava os filmes e as coisas aconteciam ao contrário, como eu queria. Mas nada do que eu fizesse poderia trazer-te de volta

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

burra

tu pensas sempre o errado
e não deixas que te explique
que o mundo anda atormentodo
as acções a caírem a pique

e tu pensas que sabes tudo
sem realmente saberes nada
o que para ti é a vida
para mim é só mais uma jornada

porque desistes quando tenho vontade de seguir em frente?
às vezes pareço um idiota
neste jeito demente
de dizer a toda a gente
aquilo que apenas tu queres saber
mas não perguntas

na verdade eu estou farto
desta vida quero sair
só que tu pareces muda, uma estupidez absurda
Que não tem vontade de me apoiar

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

mal-vindos sejam os californianos

Eles que passam por nós e saem hirtos
Deixam-nos com a esperança reduzida
Nunca seremos melhores que eles
Nunca seremos

E eu ó mãe tinha a certeza
que dava conta desses todos
Agora ferem-me quando querem
com aquelas lanças que parecem geladas quando chegam ao sangue

Longa vida aos californianos, oh sim
Eles é que vivem bem
Sem nunca terem visitado Jerusalém
Longa vida aos californianos, oh

Solta o grito irmão
Não se aguenta mais esta situação
Em que nos atingem no coração
Aos californianos diz-lhes não
E viveremos menos mal então

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma espécie - 1

São 11h11. Não sabemos bem ao certo mas temos ideia de que é quando as coisas estão prestes a começar em massa que iniciamos uma reflexão interior. Aí vemos que provavelmente não estamos preparados para dar luta a tudo. Mas saltando para o tema que me fez vir aqui premir as teclas, a vida, ou por outra, a espécie de vida. Sejamos sinceros, a verdade é que isto é uma merda. Até pedia desculpa pelo termo utilizado, contudo, certamente ninguém irá ler este texto, portanto estou à vontade. Aquilo que fazemos de mal, podemos remediá-lo, só que, de qualquer modo, isso acaba sempre por perseguir-nos, ainda que só nas nossas memórias. Como dizia o Belo, É difícil a vida dos homens senhor// Os anjos tinham outras possibilidades. De facto é verdade, nós não dispomos de armas justas para tal guerra, devíamos poder voar, expelir fogo da garganta e saber sempre tudo, para que nada de mal nos acontecesse. Com o passar do tempo coloca-se outra questão. Toda a gente a certa altura se pergunta como deverá fazer para viver da melhor maneira, e é aí que surge o principal problema, porque todos nós queremos viver melhor que o vizinho, sentir a felicidade interior de que estamos a sugar o tutano da vida, mais do que qualquer outro ser. Por vezes, na maioria das vezes, isso traz-nos uma infelicidade que se vai acentuando, e a certo chegamos a esquecer que todos somos exactamente iguais e produzidos da mesma forma, um simples espermatozóide que junta a simples óvulo, o que somado se torna um simples ovo, frágil, tão frágil que tem a necessidade de crescer os primeiros nove meses bem escondido no útero de quem ajudou à produção. Depois quando vem cá para fora, é ainda mais protegido porque é pequenino e continua a ser frágil. Mas desenvolve-se rapidamente e cresce ao mesmo ritmo, tambem na inteligência, o sacana. A inteligênicia ganha-a durante a vida. Há gente que diz que já nascem ensinados, mas isso não corresponde à verdade, quando nascem choram apenas por instinto, espírito animal de sobrevivência. Mas não é bom ser inteligente, não se enganem. Se não for bem controlada pode tornar-nos mesquinhos e sacanas. Parece que não tenho outra palavra a não ser sacana. Realmente tinha pensado noutra, mas não me ocorre agora e estou a escrever em contra-relógio. não falo mais da vida hoje, embora houvesse mais para escrever. Que se dane, mais vale pensar que podemos mudar o mundo, vale mais dizer bem alto que sai fogo da minha garganta, uma chama gigantesca e feroz, ainda que seja mentira. Uma mentira atrás da outra, no fundo é para isto que serve a inteligência, pura e dura, que Deus nos deu. Nem se salva o amor, porque até o mais bonito era de fantasia, o de Julieta e Romeu.
Último parágrafo. Se no primeiro não me apetecia abrir uma garrafa de champagne e festejar, agora também não me apetece chorar compulsivamente. Resta aos vivos chorar os seus mortos e rezar por um futuro risonho. São 12h11. Passou um hora e não se passou nada.

domingo, 23 de agosto de 2009

Não quero pôr título

A gente nunca é totalmente feliz. Que nenhum de vós tenha o atrevimento de perguntar porquê, porquê eu não sei, só que a verdade é esta. Na minha opinião, quem manda lá de cima, o senhor supremo, Alá, Deus, ou seja lá quem for, devia dar-nos o prazer e a satisfação de uma vez por outra nos sentirmos totalmente realizados, completamente satisfeitos com tudo o que fizémos.


Mas não
Com a dúvida incerta de ficar
Vou continuando a andar
Sempre sempre em contra-mão

E estamos todos por igual
Perdidos no meio da festa
Procurando um ideal
Sabendo que não há vida como esta

sábado, 22 de agosto de 2009

lonely people

Todas as pessoas solitárias, de onde terão vindo?
Todas as pessoas solitárias, porque não estão acompanhadas?

Descobre-me

Quando pensares em desistir ou desaparecer
Levanta a cabeça, acredita, tu consegues vencer
Quando o sol se for e a lua começar a brilhar
Vem para a janela, ouve-me a cantar
Quantas vezes já me vi perdido, com medo de me deitar
Pensar que amanhã, já não consigo acordar
Fechar os olhos e ver que tudo está parado
Chorar por aqueles que me têm magoado
Queria-te contar uma história, mas não estás para ouvir
Queria dizer o quanto te adoro, mas acabaste por desistir
Saber que te afastaste, com medo de arriscar
Sentir que já não sentes, ou que me estás a enganar
Não te dei atenção, perdi tempo com coisas fúteis
O céu quer cair-me em cima, eu tenho de te pedir desculpas
A vida é um jogo, arrisquei, mas perdi
não sorrires para a vida ela não sorri para

Refrão: Viaja no meu íntimo, descobre quem sou eu
Dá-me um ponto de abrigo, eu dou-te o que é meu
Fecha os olhos, foge dos teus medos
Viaja no meu íntimo, descobre quem sou eu
Dá-me um ponto de abrigo, eu dou-te o que é meu
E acredita que para mim não precisas de ter segredos
Risquei a frase que fiz, que escrevia o meu futuro
Meto as mãos no fogo pelo destino, espero que não seja duro
No meu caderno encontras a história da minha vida
E no meu passado, encontras histórias que eu escondia
Tardes passadas com a alma que só eu a via
Letras de músicas que escrevia e reflectia
Nunca pedi muito, mas nem o pouco me deram
No caminho da vida vocês por mim não esperam
E é isso que me revolta, que me toca e que me choca
O interesse de quem fala e que para mim não volta
Sou a tua voz, que há muito tempo ficou presa
Deixo-a ir embora, porque sei que ela regressa
Os medos que eu tenho, estão aqui revelados
Todos os pensamentos, voltam a ser repensados
O momento em que tento que me perdoem pelo que não fiz
Não apareceu, não apareceu porque eu não quis
Viajo no mundo, vou voando em ilusões
Estou sem respostas, mas eu tenho cem questões
Ajuda-me, livra-me, de todos estes pesos
E quando eles saírem juro que te conto os meus segredos

Refrão: Viaja no meu íntimo, descobre quem sou eu
Dá-me um ponto de abrigo, eu dou-te o que é meu
Fecha os olhos, foge dos teus medos
Viaja no meu íntimo, descobre quem sou eu
Dá-me um ponto de abrigo, eu dou-te o que é meu
E acredita que para mim não precisas de ter segredos
Viaja no meu íntimo oooh (x4)
Eu dou-te o que é meu

terça-feira, 18 de agosto de 2009

co rrecto

eu antevejo agora coisas más, não é fácil estar sentado à espera. Enquanto se espera dá para se pensar em tudo, desde as políticas do Sócrates, não o antigo mas o outro o nosso José, até à esquecida questão do aquecimento global, passando pela minha ex-futura namorada, da falta que me faz vê-la, do jeito com que ela beijava, jeito esse que nunca cheguei a experimentar, porque fiz demasiados disparates, disparates esses que me hipotecaram a hipótese de saber como ela beijava, acho que se percebe.
mas mudando de assunto, (é bom poder mudar de assunto, sinto-me o maior), anda para aí uma música em que se repete vezes sem conta a palavra aleluia, que fique registado que eu até gosto da música, já que não sei mais o que dizer.
escrevendo, agora mais a sério, sobre a música, Eu soube que havia um acorde secreto que David tocava e que agradava ao Senhor, mas tu não ligas nada a música, não é?
É assim: a quarta, a quinta, o o menor desce e o maior sobe, o rei frustrado compõe a canção, Aleluia. A tua fé era forte mas tu precisavas de provas. Tu viste-a a tomar banho do telhado. A beleza dela e o luar arruinaram-te, ela amarrou-te a cadeira da cozinha, destruiu o teu trono e cortou o teu cabelo. E dos teus lábios ela tirou um aleluia.
Mas houve um tempo em que tu me disseste o que realmente acontecia na terra, agora nunca me mostras, não é?
Lembraste quando eu entrei em ti, e a pomba sagrada tambem entrou. E todo o suspiro que dávamos era um aleluia? Não era uma pergunta, eu sei que te lembras. Aleluia aleluia


suedossonoasatraconotircseoxeideitedotiumotsog

O monstro

O monstro é uma velha gaveta
que não consegues abrir porque dizem ser sagrada
temes que te lancem um feitiço, uma breve embuscada
vai-te fazer perder, essa doçura em ti impregnada

O monstro é o parvo lá da rua
que não sabe nada sobre o sexo feminino
nunca sequer viu uma mulher nua
age com a mentalidade de um menino

O monstro é aquele que se levanta e diz
Deixem passar quem manda
Depois não consegue segurar a sua humana
alma fraca e branda

O monstro é a menina que nasceu agora
E que não faz mal a ninguém, mas assusta toda a gente
com a sua pura fragilidade
Mas tu não podes pô-la fora

Ela não pode pelos maus ser apanhada
Pelos monstros ser apanhada ela não pode
Eles não podem controlá-la os monstros
Toma conta da menina pura e frágil

sábado, 15 de agosto de 2009

Relação conjugal

À noite, no jantar á luz das velas um homem tem que ser um cavalheiro. Foi assim que o Zé conquistou a Maria e que a Joaquina se perdeu de amores pelo Joaquim. Nesses jantares o homem parece sempre perfeito, como se de um verdadeiro principe encantado se tratasse. Ele chega-lhe a cadeira para trás, ela senta-se e depois ele empurra a cadeira, deixando-a confortavelmente posicionada em relação à mesa. Ele pede uma garrafa de vinho mas não bebe tudo, na verdade, raramente bebe mais que um copo. O prato também é sempre algo leve, às vezes até traz mais coisas para enfeitar do que propriamente para comer. Alguns homens tentam fazer uma declaração de amor a partir de algo do restaurante chique, por exemplo, o Zé pediu a orquestra uma música romântica para poder dançar com a Maria e o Joaquim, esse terá pedido a um dos empregados para colocar na sobremesa aquele anel que vai assentar que nem uma luva no dedo da Joaquina. Depois disto, a mulher está já completamente dominada, é agora uma presa fácil para as garras de qualquer borra-botas que por aí ande. Posto isto, o homem, como que sentindo a fraqueza da mulher, pergunta-lhe se ela não quer ir a casa dele tomar um digestivo e dançar um pouco ao som de uma qualquer música romântica. Ela já se deixando envolver no caríssimo perfume que ele comprou única e exclusivamente para aquela ocasião, aceita sem colocar obstáculos. Passado uns minutos estão eles a rodopiar pela sala, e nessa altura voltam-me a entrar no pensamento o Zé e a Maria, a Joaquina e o Joaquim, é o braço dele que consegue envolver todo o corpo dela, a mão dele que vai percorrendo em direcção a Sul toda a zona das costas dela. E de repente, enquanto toda a gente esfrega os olhos, ele rouba-lhe um beijo, e outro,e outro e talvez até mais um. Aí, são as suas línguas que começam a imitar o movimento de rodopio que os corpos vinham fazendo pela sala, numa dança nada cansativa e ao mesmo tempo demasiado prazerosa. Daí a uns segundos já estão completamente nus e ela a deixá-lo conhecer e percorrer todas as estradas e passagens do seu corpo, envolveu-se por completo.
Foi um verdadeiro cavalheiro o homem, que podia muito bem ser o Zé ou o Joaquim. Num curto espaço de tempo estão casados, porque afinal de contas ele é um cavalheiro à moda antiga, um homem educado, elegante e bem parecido, enfim, o sonho de qualquer uma.
É estranho e desconfortável pensar nisto em relação aos nossos pais, mas, deve ter sido assim que o meu pai conquistou a minha mãe.
Quase todos os homens conquistam assim uma mulher, mostram-lhe uma perfeição que não existe,
Quando já estão casados há uns meses, ele começa a entrar mais vezes em casa com os sapatos sujos, ele ganha barriga, ele deixa de lhe dar o pequeno-almoço na cama, ele passa a dizer por muito escassas ocasiões o quanto a adora, ele começa a chegar mais tarde a casa, ela começa a pôr menos sal no jantar só para o irritar, ela esbanja rios de dinheiro em compras, ela começa a gostar de ser olhada por outros homens, eles começam a perder interesse.
Deve ter sido assim com o Zé a Maria, ou com o Joaquim e a Joaquina. Com o meu pai e a minha mãe não sei bem, era muito novo na altura. Só me lembro que o meu pai gritava muito e depois saía batendo muito fortemente com a porta, e depois a minha mãe ficava bastante tempo a chorar sentada em cima da cama. Aí eu nunca sabia bem o que fazer, aproximava-me sempre dela e ela agarrava-me com muita força e abraçava-me. A seguir exigia que eu lhe prometesse que quando eu conhecesse uma rapariga a ia tratar bem, com respeito e carinho. Estava no segundo ano da escola nesse momento, e, quando a minha mãe me dizia isso, eu só me punha a pensar na Débora, que era a menina por quem eu andava quedado. Só imaginava que se ela aceitasse jogar à apanhada comigo eu ia deixar sempre que ela me apanhasse e ia deixar sempre que ela fugisse. Isso afinal era uma forma de tratar bem, não era?

domingo, 9 de agosto de 2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

As escolhas do Céu

Que ninguém se esconda dos desígnios divinos
Porque não há quem escape ao imenso terror
de ver lá os seus queridos meninos
arderem na fogueira da vida, senhor

O pão nao se há-de multiplicar para sempre
Tal como a água cristalina
que corre podre, infelizmente
Lá para as veias do rio Pina

O Pina morreu
tenho medo que a seguir seja eu
Tenho dezasseis vou a caminho dos cinquenta
Não me sinto como os reis mas tenho muito pêlo na venta

amanhã dizem ser o dia
de todos os loucos da cidade
Eles que saiam de sua monotonia
ganhem ganas e reclamem liberdade

Depois passarei pelo café
olá compadres, que é do Pina?
O Pina morreu
Foram as escolhas do Céu

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Era mais fácil


A tua hora já chegou e eu não sei bem porquê
A última vez que te ouvi
Estavas muito bem
Parece que foi ontem
Eu estava a rir-me contigo

Parece que foi ontem
Quando jogávamos às escondidas em casa da avó
Bem, tu ensinaste-me bem, não foi?
Gostava de ser como tu

Eles têm rádios no céu?
Espero que eles tenham
Porque estão a tocar a minha música no rádio
E eu estou a cantar para ti


Tu partiste antes que me pudesse despedir
Mas a vida é assim mesmo
Ela simplesmente passa por nós
Mas tu não podes ficar a lamentar-te
E não podes olhar pra trás


Eu estou grato pelas horas que partilhei contigo
Gostava de ser como tu
O que eu posso fazer mais?
Eu posso trazer o meu violão, quando chegar a minha hora
E vou tocar para ti


Diz-me, podes ouvir-me agora?
Se não, eu posso tentar cantar muito alto
Como é aí em cima, do outro lado das nuvens?
Gostava de ser como tu
Tão bom como tu.
"Radios in heaven", Plain whitw t´s

A vida

Os eagles vieram a Portugal há uns dias e eu não fui ver o concerto, portanto cá vai a vingança, recorrendo à rima fácil:

A vida é filha da puta
A puta é filha da vida
Só encontro filhos da puta
Na puta da minha vida

Uma vez que já tudo se perdeu


Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma árvore qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor
Mas tudo é apenas o que é
Levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu



Ruy Belo